O rapper Alex Emissário, de Vila Velha, lançou o single “A boca que caçoa é a mesma que elogia”, disponível nas principais plataformas de streaming e com mais de 60 mil execuções na Palco MP3, plataforma nacional voltada para artistas independentes. Com produção de Lemiske, beatmaker de Piúma, e finalização de DJ Jone BL, de Vitória, a faixa segue a linha do boombap clássico, com batidas marcadas, uso de samplers de corais e uma sonoridade que remete à golden era do rap.
A letra do single traz uma reflexão direta sobre o impacto das palavras no cotidiano. Inspirado em versículos do livro de Tiago, da Bíblia, Alex propõe uma análise crítica das relações interpessoais e das consequências da fala. “Temos o poder de usar as palavras tanto para edificar quanto para derrubar, para abençoar ou amaldiçoar. A mensagem maior é que precisamos medir o que falamos, porque toda ação tem uma reação”, afirma o rapper.
Ao longo da música, o artista explora metáforas que dialogam com o cotidiano da periferia e com vivências pessoais. O trecho “É muito prego pra pouco martelo / não querem sinceridade / querem validação” apresenta uma crítica ao comportamento coletivo e à busca por aprovação social. A ideia de seletividade nas amizades e de falsidade nas relações aparece em versos como “tapinha nas costas / nunca encheu a geladeira / cuidado com quem tu senta na mesa / bajulação te joga na fogueira”.
O single também aborda a resiliência diante das adversidades. Versos como “a traição vem de quem menos espera / só sobrevive a selva quem tem tática de guerra” reforçam a narrativa de luta e sobrevivência, tema recorrente na obra de Alex Emissário. A presença de referências espirituais é outro elemento presente na faixa. No final da música, o artista menciona: “A boca de Deus me diz coragem / a boca de Deus não diz que é tarde”, apontando para um sentimento de fé e esperança.
Com quase 25 anos de carreira, Alex Emissário mantém a proposta de trabalhar letras com mensagens sociais e reflexivas. O rapper começou sua trajetória em 2002 como compositor, integrou o grupo Face Oposta entre 2007 e 2009 e, desde 2011, segue carreira solo. Em 2025, foi finalista do Prêmio Profissionais da Música, na categoria hip-hop sudeste/sul. “É motivo de orgulho. Toco minha carreira sozinho, sem equipe e sem patrocínio”, destaca.
Além do novo single, o artista prepara o lançamento de uma nova faixa ainda neste ano. Também prevê divulgar trabalhos inéditos gravados em anos anteriores. “Falo sobre autoestima, sobre acreditar, sobre buscar ser uma pessoa correta e honesta. Baseio minha vida nas minhas letras”, afirma.
Sobre o cenário do rap capixaba, Alex vê evolução, mas destaca que muitos artistas ainda enfrentam dificuldades para estruturar suas carreiras de forma profissional. Entre os nomes que considera destaque na cena local estão Afari, Akilla, Psycho, W.I., César MC, MC Noventa e Budah.
