Entre os dias 25 e 30 de setembro de 2025, uma pesquisa qualitativa exploratória e descritiva, realizada com alunos, professores e coordenação da Faculdade Novo Milênio, analisou como o público tem consumido televisão aberta e plataformas de streaming. As entrevistas, conduzidas de forma presencial e virtual, reuniram diferentes perfis e idades entre 19 e 40 anos.
O estudo revelou um consenso: o streaming conquista os espectadores pela liberdade, variedade e personalização, enquanto a TV aberta mantém relevância em áreas estratégicas, como o jornalismo, campanhas sociais e transmissões de grande impacto coletivo, a exemplo de novelas, reality shows e futebol.
A professora de Comunicação, doutora em Ciência da Comunicação, Flávia Daniela, destacou que a TV aberta continua forte por questões estruturais do país. “A desigualdade de acesso à internet no Brasil é um fator crucial que mantém a TV aberta relevante. Ainda há milhões de brasileiros sem acesso adequado à internet banda larga, especialmente em regiões rurais e periferias urbanas. Para muitas famílias, especialmente de menor poder aquisitivo, a televisão tradicional permanece como a principal janela para informação, entretenimento e conexão cultural”.
A percepção dos estudantes reforça essa transição de hábitos. A aluna de Pedagogia, Maria Augusta, 27 anos, relatou: “Antes era comum juntar a família na sala para assistir à novela. Hoje isso quase não acontece, porque cada um assiste ao que gosta no celular ou no tablet, no horário que quiser. Isso mostra como o streaming trouxe mais independência, mas também acabou com aquela experiência coletiva de assistir juntos”.
Na mesma linha, a aluna de Pedagogia, Aline Souza, 23 anos, considera que a televisão aberta já não dialoga com as novas gerações: “O público jovem não vê mais relevância na TV aberta. Esse tipo de consumo é mais associado às gerações mais velhas, que ainda mantêm o hábito. Nós preferimos escolher o conteúdo, maratonar quando temos tempo e não ficar presos à grade da TV”.
Por outro lado, há indícios de que a TV aberta ainda tem espaço na vida cotidiana. A aluna de Enfermagem, Lorena, 29 anos, observou que “a novela voltou a ser assunto. Vejo pessoas comentando no trabalho, entre amigos e familiares, e muita gente tem deixado o streaming de lado para acompanhar os capítulos. Isso mostra que a TV aberta ainda consegue mobilizar o público em alguns momentos”.
A visão também se repete em outras falas. O aluno de Segurança do Trabalho, Nicolas Machado, 19 anos, afirmou: “Quando penso em TV aberta, lembro imediatamente do futebol, principalmente quando é jogo da seleção ou final de campeonato. Já quando penso em streaming, a primeira coisa que me vem é podcast, porque é o que mais consumo. Para mim, a TV é coletiva e o streaming é individual”.
Na análise institucional, o coordenador de curso, mestre em Educação, Gustavo Tostes, ressaltou o avanço da nova tecnologia: “Até a Copa do Mundo, a TV 3.0 deve estar implementada em várias capitais, transformando a TV aberta em um grande hub de streaming. Isso vai permitir que o público escolha o que assistir dentro da programação, sem precisar ficar preso à grade. É uma mudança que vai aproximar ainda mais a televisão e plataformas digitais”.
Já a publicidade enfrenta outro desafio. O professor de Publicidade e Propaganda, também formado em Jornalismo, Luiz Eduardo Neves, destacou o impacto do consumo digital sobre as campanhas. “O futuro será cada vez mais nichado, e as marcas precisam monitorar suas campanhas em tempo real. Antigamente, o trabalho terminava quando a campanha ia ao ar. Hoje, é justamente nesse momento que começa, porque é preciso acompanhar o desempenho, medir a reação do público e mudar a estratégia rapidamente, se for necessário”.
As entrevistas apontam que, embora o streaming atenda ao desejo de consumo individual e sob demanda, a TV aberta ainda cumpre papel fundamental como meio de confiança, especialmente no jornalismo e nas campanhas de grande alcance social.
O estudo indica que a televisão aberta não vai desaparecer, mas precisará se reinventar para coexistir com o streaming. O futuro do entretenimento tende a ser híbrido, preservando a capacidade da mídia tradicional de criar momentos coletivos, enquanto oferece ao público a liberdade e a segmentação características do consumo digital.
Esta matéria é resultado de pesquisa/apuração das alunas do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Novo Milênio Gabriela Menezes, Luana Montibeller e Rebeca Lima.
