O som do hip-hop e a memória das ruas ocuparam o Centro de Referência das Juventudes (CRJ) de Terra Vermelha na terça-feira (28), quando um cineclube exibiu o documentário “Onde está Zumbi?” (2025), dirigido por Luiz Eduardo Neves. A sessão terminou em conversa aberta com jovens da comunidade e distribuição do livro “Onde se vê música”, também de autoria do diretor.
As duas obras se encontram no mesmo ponto: a história da cultura hip-hop capixaba e seu papel como instrumento de formação e pertencimento. No documentário, Neves reconstrói a trajetória do primeiro disco de rap produzido no Espírito Santo — “Tributo a Zumbi” (1996) — e mostra como artistas de diferentes bairros transformaram carência em criação. No livro, o autor segue as imagens e sons do rap local, analisando os videoclipes como expressão política e estética de um território que aprendeu a falar por si.
No CRJ Terra Vermelha, o encontro entre essas narrativas e o cotidiano dos jovens ganhou outra dimensão. “O cineclube representa um desses momentos em que arte, história e juventude se encontram. É aqui que os jovens têm acesso a novas referências e podem se reconhecer nas narrativas que construímos juntos”, disse Alessandra Moreira, coordenadora de articulação do centro.

Criado pelo Governo do Estado em 2021, o CRJ se tornou uma das principais portas de acesso a políticas públicas voltadas à juventude de Vila Velha. O espaço abriga oficinas, laboratórios de potencialidades capixabas (LABPOCAS) , cursos profissionalizantes, plano de vida, encaminhamento ao mercado de trabalho e eventos culturais que integram esporte, empreendedorismo e arte como caminhos de emancipação. Em Terra Vermelha, onde muitos jovens enfrentam desafios sociais e econômicos, iniciativas como o cineclube são também formas de disputar imaginários e produzir esperança.
O livro “Onde se vê música” foi contemplado por editais de fomento da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES), o mesmo ambiente institucional que apoiou a realização de “Onde está Zumbi?”. Ambos os projetos se inserem num ciclo de incentivo que vem fortalecendo a produção cultural capixaba e abrindo espaço para obras que partem da periferia para o centro do debate.
Durante a conversa, Luiz Eduardo destacou que o sentido maior da exibição não era apenas apresentar o filme, mas colocá-lo em diálogo com as histórias dos jovens presentes. “A trajetória registrada no documentário e no livro é a mesma que eles vivem hoje. São experiências de luta, criação e resistência, que continuam se escrevendo a cada dia”, afirmou.
