Feira de Quadrinhos Capixabas reúne produção independente e discute identidade visual

A emergência de um circuito próprio de quadrinhos e ilustração no Espírito Santo ganha novo capítulo, no sábado (20), com a realização da 1ª Feira de Quadrinhos Capixabas. O evento, gratuito, ocupa o espaço ao lado do Cine Metrópolis, em Goiabeiras, Vitória, das 14h às 20h, e reúne artistas independentes, colecionadores e leitores em torno de uma cena que, embora crescente, ainda enfrenta baixa visibilidade e assimetrias em relação a polos como Rio e São Paulo.

A programação inclui venda e exposição de HQs autorais, além de uma palestra do ilustrador e quadrinista Thiago Egg, convidado para discutir caminhos e desafios da criação gráfica contemporânea. O encontro contará com intérpretes de Libras.

Paulistano radicado em Vitória desde 2012, Egg atua há mais de duas décadas no mercado editorial e já publicou por casas como Conrad, Harper Collins e Balão Editorial. Entre seus trabalhos estão “Morri, mas passo bem”, “Sai dessa, Gildo”, “O Farol” e “O Pequeno Restaurante de Comidas Escandalosas”. O artista também vai mediar uma roda de conversa com participantes da Maratona de Quadrinhos, centrada no tema “Mercado de Quadrinhos e Ilustração”.

A proposta é examinar como a cultura do estado tem sido representada — ou negligenciada — no campo das narrativas visuais. O debate toca num ponto sensível para o setor: a dificuldade de consolidar identidade estética própria enquanto artistas locais buscam circulação nacional.

Egg afirma que a palestra pretende expor o funcionamento real do mercado, desfazendo idealizações que costumam afastar novos profissionais. “Vou usar minha trajetória para mostrar onde, de fato, estão as oportunidades. Vou detalhar como operam áreas como ilustração editorial, publicidade e projetos didáticos, e esclarecer quais caminhos existem hoje para apresentar, distribuir e submeter trabalhos a editoras. A ideia é discutir sem ilusões o que é profissionalizável e o que ainda depende de estrutura que o estado não oferece plenamente”, detalhou.

A feira também se ancora em um objetivo mais amplo: aquecer a economia criativa capixaba e oferecer espaço de exibição para autores que operam à margem do circuito comercial tradicional. Em um mercado ainda marcado por pouca profissionalização e escassos pontos de venda, a criação de eventos regulares é vista por integrantes do setor como passo necessário para construir público e garantir sustentabilidade.