Debates de A Viagem da Canção Sem Fronteiras viram podcast

Os episódios em áudio dos dois bate-papos da segunda edição do projeto A Viagem da Canção Sem Fronteiras já estão disponíveis em plataformas de streaming. Os podcasts reúnem debates realizados na Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha, sobre música, identidade, circulação nas redes e acesso às tecnologias a partir de experiências periféricas.

O primeiro encontro discutiu a relação entre identidade, mercado e visibilidade digital. A empreendedora Ursula Ramos afirmou que a construção da marca Kizzala parte da própria vivência. “Não faz sentido eu trabalhar com algo que não seja a minha realidade”, disse, ao tratar da disputa por espaço nas redes e da necessidade de manter coerência entre identidade e produto. Para ela, a representatividade depende de escolhas sobre onde e como ocupar esses espaços. “Não adianta trazer o que está sendo imposto se isso não faz sentido com quem a gente é”.

O rapper JR Conceito abordou o rap como linguagem construída a partir da experiência da periferia e como ferramenta de transformação social. “O rap me resgatou e me mostrou a importância de estudar, buscar informação e conhecimento”, afirmou. Segundo ele, as plataformas ampliam o alcance do trabalho, mas nem sempre favorecem conteúdos ligados a questões sociais. “Tenho poucas pessoas comigo, mas sei que são verdadeiras e sabem o que estou falando”.

Ao final do bate-papo, JR Conceito apresentou um pocket show com as músicas Beijo da Dor, Manda Benção 2 e Crimes Capitais.

O segundo encontro concentrou o debate no acesso às tecnologias e no poder de fala. O pesquisador Júnior Silva afirmou que a discussão vai além da conectividade. “O problema não é só ter acesso, mas quem controla as tecnologias e como essas vozes circulam”, disse, ao apontar o papel dos algoritmos na limitação do alcance de determinadas narrativas.

A artista Lucrécia destacou que sua produção nasce fora das redes e que a internet funciona como desdobramento do trabalho artístico. “A internet é consequência do que eu faço, não o ponto de partida”, afirmou. Ela também questionou a centralidade dos números como critério de relevância. “Às vezes, 20 pessoas consumindo de verdade têm mais sentido do que milhares passando sem escutar”.

O encontro foi encerrado com um pocket show de Lucrécia, com as músicas Braba da Cena, Conselho e Pretos Também Amam.

As gravações ocorreram em dois encontros abertos ao público, realizados nos dias 10 e 13 de novembro de 2025, no auditório da Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha. O projeto foi desenvolvido pelos alunos do curso de Publicidade e Propaganda da instituição, como atividade prática de produção de conteúdo cultural, sob coordenação do professor Luiz Eduardo Neves.

Os episódios estão disponíveis nas seguintes plataformas: Spotify, YouTube, Castbox e SoundCloud. O projeto foi realizado com o apoio da Faculdade Novo Milênio, com recursos do Funcultura e da Secretaria da Cultura do Estado do Espírito Santo, por meio do edital 04/23.

Link no Spotify:
Ep. 1 – https://open.spotify.com/episode/1OkEHTrVQ6lzvI9xnYwRRN?si=4f4e34e17ce84b2c
Ep. 2 – https://open.spotify.com/episode/1EP15nkwoFiqu1H5NaA6E9?si=10eaa810ad1444ad&nd=1&dlsi=02775ac3402c4627