Estudantes e professores avaliam como o celular influência nas aulas

O uso de celulares em sala de aula recentemente tem gerado debates em diferentes níveis de ensino, com até leis que buscam restringir o aparelho nas escolas. Mas e nas universidades, como esse tema é visto? Para muitos estudantes da faculdade Novo Milênio, o celular funciona como apoio em pesquisas e anotações. Já os professores reconhecem que ele pode ser um recurso útil, capaz de ampliar a curiosidade dos alunos, mas também alertam para os riscos de distração e perda de interação durante as aulas.

Esse debate nas escolas ganhou força com as preocupações sobre os impactos negativos do excesso de tela na saúde mental, na concentração, no aprendizado e na socialização. Após a pandemia, a discussão se intensificou e resultou, no Brasil, na Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares, permitindo-os apenas para fins pedagógicos e de acessibilidade. Mesmo com a proibição, pesquisas feitas pelo portal de notícias G1 mostram que 63% dos estudantes do ensino médio ainda levam o celular todos os dias para a escola, e mais da metade (54%) acessa o aparelho durante as aulas. 

Embora os números das escolas mostrem o quanto o celular está presente na rotina dos estudantes, como esse debate se manifesta no dia a dia da faculdade Novo Milênio? Para entender melhor, iremos mostrar resultados de uma pesquisa qualitativa feita na instituição na data de 18 de setembro de 2025, onde foram entrevistados seis alunos de cursos variados e três professores incluindo o coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da faculdade.

Para muitos estudantes da faculdade, o celular é visto como uma extensão da sala de aula, uma ferramenta que auxilia no aprendizado. Eduarda Lombarde de 24 anos, do curso de Direito, afirma que o aparelho é útil para pesquisar conteúdos e acompanhar materiais da disciplina, mas alerta que se usado para redes sociais, pode desviar a atenção. Flávio Del Piero, de 23 anos, também de Direito, conta que utiliza o celular para fazer anotações durante quase toda a aula, ressaltando que, quando bem usado, o aparelho ajuda a organizar o conteúdo e tirar dúvidas. 

Vitor Karim, de 20 anos, estudante de Publicidade e Propaganda, reforça essa visão, destacando que pesquisa conceitos durante a explicação e utiliza o celular como substituto do caderno. Júlia Vitória Santana, de 21 anos, de Administração, acrescenta que a plataforma online da faculdade depende do celular, tornando o aparelho essencial para acompanhar slides e materiais, principalmente para quem não tem notebook. Diego Holz, também de 21 anos, do curso de Engenharia, compartilha uma visão equilibrada: para ele, o celular tanto ajuda quanto atrapalha — serve como ferramenta importante para pesquisas e comunicação, mas também pode distrair.

Apesar dos benefícios apontados, o celular também pode gerar distração. Eduarda observa que, quando usado para conversas ou redes sociais, o aparelho tira o foco da aula. Flávio aponta que o uso inadequado demonstra desrespeito ao professor, enquanto Lucas Chagas Félix, de 24 anos, de Administração, acredita que a atenção do aluno fica comprometida quando o celular é usado fora do contexto acadêmico. Vitor comenta que o risco está no uso exagerado ou na dependência, alertando para a necessidade de equilíbrio, e Júlia destaca que plataformas paralelas abertas no celular podem atrapalhar a concentração, mesmo com a intenção de acompanhar a aula.

Quanto à regulamentação do uso do celular, as opiniões dos alunos convergem para um meio termo. Diego acredita que, por serem todos maiores de idade, os alunos devem ter autonomia sobre o uso do aparelho, desde que não atrapalhem a aula. Ele também considera que proibir totalmente o celular não seria adequado, já que o dispositivo é útil em casos de imprevistos e nas pesquisas realizadas durante as aulas. 

Eduarda defende orientação em vez de proibição total, enquanto Flávio acredita que cada aluno deve decidir como usar o aparelho, desde que não se prejudique. Lucas sugere restrições moderadas, considerando emergências familiares ou acadêmicas. Vitor e Júlia reforçam que a conscientização é mais eficaz do que simplesmente proibir, permitindo que o celular continue sendo uma ferramenta útil sem comprometer o aprendizado.

Os professores, por sua vez, enxergam o celular como uma ferramenta que pode tanto potencializar quanto dificultar o aprendizado. Luiz Eduardo Neves, docente de Publicidade e Propaganda, afirma que o aparelho está completamente inserido no cotidiano dos alunos e pode ser aliado do ensino, desde que o professor saiba integrá-lo às atividades: “O celular ajuda quando o conteúdo pode ser pesquisado ou trabalhado em conjunto com ele. Mas se o uso for exagerado, ele vira distração. Cabe ao professor orientar e ao aluno ter maturidade para utilizá-lo corretamente”.

Cláudia Paes Borba, professora das disciplinas de Gestão de Negócios em Comunicação e Marketing, acredita que o celular pode ser um grande aliado no aprendizado quando usado com propósito. Ela ressalta que os alunos conseguem pesquisar conteúdos rapidamente e interagir em atividades digitais, tornando as aulas mais dinâmicas. Porém, Cláudia alerta para os riscos de distração: “O celular deve ser uma ferramenta de apoio, não apenas entretenimento. Quando usado para redes sociais ou conteúdo paralelo, ele tira o foco e prejudica a atenção. Mas quando bem integrado à aula, enriquece o aprendizado e aproxima os alunos do conteúdo”.

O coordenador do curso, Gustavo Tostes Leite Bello, reforça essa perspectiva, destacando que a autonomia do aluno no ensino superior permite o uso do celular como ferramenta pedagógica, desde que haja orientação e maturidade: “O professor pode criar metodologias ativas que integrem o celular, tornando-o aliado do aprendizado. É fundamental que o aluno aprenda a separar o uso acadêmico do uso pessoal e de entretenimento, garantindo que a ferramenta seja aproveitada de maneira produtiva”.

As palavras mais citadas na pesquisa realizada na instituição de ensino superior (ver gráfico acima) — ajuda/útil, atrapalha/distração, pesquisa, respeito, anotações, materiais/documentos e emergência/família — evidencia o papel ambíguo do celular na vida acadêmica. Ele se apresenta tanto como ferramenta de apoio para pesquisa, organização de conteúdos e acompanhamento de materiais, quanto como fonte de distração, dependendo do uso do aluno. Como Marshall McLuhan, teórico da Comunicação afirmou, “o meio é a mensagem”: o impacto do celular vai além do que se acessa nele, transformando a forma como os estudantes aprendem, se comunicam e se relacionam no ambiente universitário. O desafio, portanto, não é proibir, mas orientar o uso para que ele potencialize a aprendizagem sem comprometer a atenção e o respeito em sala de aula.

Esta matéria é resultado de pesquisa/apuração dos alunos do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Novo Milênio Arthur Patrocinio, Bruna Comério e Nicoly Souza. Para acessar a pesquisa completa, clique AQUI.