As redes sociais estão no centro da maneira como as pessoas se informam, mas despertam dúvidas quanto à confiabilidade. Pesquisa qualitativa realizada com estudantes, professores e coordenação da Faculdade Novo Milênio (FNM) revelou percepções distintas sobre os benefícios e riscos do consumo de informação online.
“Uso as redes para me manter informada, mas sei que nem sempre dá para confiar”, comenta a aluna de Podologia, Patrícia da Silva Araújo, 35 anos. A fala resume a principal tendência entre os entrevistados: os jovens reconhecem a praticidade de se atualizar pelo Instagram, TikTok ou X (antigo Twitter), mas se preocupam com a disseminação de fake news e manipulação de conteúdos.
A investigação, feita por meio de entrevistas realizadas no dia 18 de setembro, sendo a maior parte das respostas coletadas via WhatsApp, contou também com entrevistas presenciais realizadas na faculdade. Ao todo, foram entrevistadas nove pessoas, seis estudantes, dois professores e um coordenador.
Os entrevistados tinham idades entre 19 e 50 anos e pertenciam a seis cursos diferentes, incluindo Medicina Veterinária, Administração, Fisioterapia, Pedagogia, Podologia e Publicidade e Propaganda.
A pesquisa, de natureza qualitativa, feita com entrevistas em profundidade, mostrou que todos os estudantes percebem forte influência das redes na formação de opiniões. “A gente acaba sendo impactado por influenciadores e até sem perceber muda a forma de pensar”, avalia o estudante de Medicina Veterinária, Henrique Alvarenga, 19 anos.
Para a doutora em Ciência da Comunicação, Flávia Delgado, docente do curso de Comunicação – Publicidade e Propaganda, de 52 anos, destacou a agilidade e a democratização da informação, mas ponderou que “a consequência é a perda da checagem de credibilidade, que antes era mais presente no jornalismo tradicional”. Já o coordenador do curso de Comunicação, Gustavo Belo, ressalta que não substitui meios tradicionais pelas redes: “Uso como ponto de partida, mas sei que não podem ser a principal fonte. Elas devem ser complementares”.
Apesar das críticas, os entrevistados reconhecem que o acesso facilitado trouxe avanços. “Nunca se viu tanta pluralidade de vozes, mas também nunca se viu tanta desinformação circulando”, observa a professora Flávia. Entre os riscos mais citados estão as fake news, a criação de bolhas informacionais e a manipulação de opiniões. No campo da comunicação, os desafios se somam às oportunidades. Para os futuros profissionais, as redes representam um espaço de alcance direto a públicos específicos, mas exigem adaptação constante. “O maior risco é a desinformação, mas também é a maior chance de inovar na forma de comunicar”, completa Gustavo.
O estudo indica que, embora as redes sociais sejam indispensáveis na rotina informativa dos estudantes, seu uso exige olhar crítico e práticas de checagem. Educação midiática e iniciativas de fact-checking surgem como caminhos para fortalecer a credibilidade no ambiente digital.
Esta matéria é resultado de pesquisa/apuração das alunas do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Novo Milênio Jhosten Siqueira, Kathlin Ribeiro e Tainá Souza.
