Os episódios do videocast Rima Sem Fronteiras já estão disponíveis no YouTube, no canal Panela Audiovisual. Gravada na Biblioteca Municipal de Vila Velha, na Prainha, a série reúne entrevistas com rappers da cena capixaba e propõe reflexões sobre música contemporânea, experiência negra e realidade local. As conversas foram conduzidas pelo jornalista e pesquisador Luiz Eduardo Neves.
Com três programas, o projeto apresenta encontros individuais com os rappers JR Conceito, Alex Emissário e Aliado Jota. Cada episódio se estrutura a partir da exibição de videoclipes e de entrevistas que articulam território, linguagem, memória, circulação cultural e disputas por espaço no rap produzido no Espírito Santo.
No episódio com JR Conceito, a conversa se organiza a partir de clipes como Mais Loko, Manda a Benção e Dialeto Marginal e aborda experiências ligadas à infância, à violência cotidiana e às perdas vividas nos territórios periféricos. Ao tratar do luto, o rapper afirma que “todo mundo já perdeu uma pessoa” e que é recorrente o pensamento de que “poderia ter feito diferente ou passado mais tempo com aquela pessoa”, associando esse sentimento à dificuldade humana de lidar com a morte e à necessidade de valorizar os vínculos afetivos enquanto eles existem.
O programa com Alex Emissário percorre uma trajetória iniciada no início dos anos 2000 e discute mudanças de linguagem e estética no rap local. A partir de clipes como Pic Nicki Minaj, Top Boy e Flow King Kong, a entrevista aborda lazer, circulação urbana e afirmação simbólica. Ao comentar referências formativas, o rapper diz que ouvia Chico Science porque ele “falava muito sobre os problemas cotidianos ali de Recife”, citando temas ligados ao território, ao mangue e à degradação ambiental como elementos que influenciaram sua forma de pensar a música.
Já o episódio com Aliado Jota utiliza os clipes 8 Ventos e Tô no Game como ponto de partida para discutir deslocamento, permanência e disputa por reconhecimento. O rapper retoma a ideia de que “o rap sempre foi uma forma de contar a própria história e a história do entorno”, refletindo sobre como essas narrativas, que antes incomodavam, passam a ser absorvidas de outras formas à medida que circulam no mercado e nas redes.
Segundo Luiz Eduardo Neves, as entrevistas buscaram tratar o rap como prática cultural e forma de leitura do território, conectando trajetória pessoal, circulação urbana e produção simbólica. Para o jornalista e pesquisador, “o conjunto das conversas permite observar como diferentes gerações do rap capixaba elaboram memória, linguagem e presença pública a partir de experiências locais”.
O Rima Sem Fronteiras foi realizado por meio da Lei Aldir Blanc – PNAB 2024 e Fundo de Cultura da Prefeitura de Vila Velha. Os episódios estão disponíveis gratuitamente no canal Panela Audiovisual, no YouTube.
