Artigo: Vibra Rock e o encontro de gerações

A Praça do Papa, em Vitória, virou ponto de encontro para fãs de rock no dia 2 de maio. A segunda edição do Vibra Rock Brasil apostou na combinação entre nomes nacionais e a força da cena local. No topo, Capital Inicial, Paulo Ricardo e Biquini Cavadão. Em volta, artistas capixabas sustentando o pulso do festival.

Doze horas de música. Palco de grandes proporções. LED por todos os lados. O evento se define nos intervalos: circulação, encontros, permanência. Feira de vinil, tatuagem, comida. Um espaço que dilui a ideia de show isolado.

Na plateia, um retrato que chama atenção. Predomínio 40+, mas não exclusivo. Crianças vestidas à caráter — camisetas de bandas, preto, botas, acessórios metálicos — dividindo o gramado com os pais. Não como figurantes, mas como parte ativa.

É nesse ponto que as atrações locais deixam de ser coadjuvantes e passam a eixo. Nomes como Kinho Sucupira e Dona Fran não apenas executam clássicos: sustentam a memória do gênero, conectando repertório global à identidade capixaba. Não é aquecimento. É entrega.

Chegar também fez parte da experiência. O trajeto de aquaviário entre Vila Velha e Vitória encurta distâncias. Dez minutos de travessia, com a Baía ao redor.

Há quem diga que o rock perdeu protagonismo. No Vibra Rock, a percepção é outra. O gênero muda de forma, não de relevância. Michael Jackson, embora associado ao pop, incorporou elementos do rock e defendia que a música bem construída atravessa gerações.

No palco, Dinho Ouro Preto destacou o fenômeno: milhares cantando em uníssono letras de décadas atrás, inclusive jovens que nem eram nascidos quando elas tocavam no rádio.

O Vibra Rock se firma nesse equilíbrio. Entre legado e presente. Entre pais e filhos. Menos nostalgia, mais permanência.